Nem toda punição vem com o perfil fora do ar. Muitas vezes a conta continua acessível, mas os recursos somem: não dá para publicar, comentar, seguir, usar link na bio ou anunciar. Em outros casos, nada é avisado e o alcance simplesmente despenca de um dia para o outro.

Este texto explica, em tese, como esses casos costumam ser analisados quando a restrição parece desproporcional ou equivocada.

Restrição, suspensão e queda de alcance

A restrição de recursos costuma ser aplicada após denúncia ou detecção automática de comportamento considerado inautêntico. A suspensão temporária tira o perfil do ar por um período, com prazo para revisão. A queda de alcance sem aviso é a mais difícil de enfrentar, porque não existe notificação formal para contestar.

Em todos os casos, o ponto de partida é o mesmo: documentar o que mudou, quando mudou e qual foi o impacto medido em números.

O que se discute juridicamente

Moderação é legítima; moderação sem motivação e sem revisão é o que se questiona. A LGPD garante o direito de pedir revisão de decisões automatizadas, e o contrato de adesão precisa ser aplicado com clareza e proporcionalidade.

Quando o perfil é usado profissionalmente, a discussão inclui o impacto econômico: campanhas interrompidas, verbas de anúncio investidas em um perfil que não entrega e contratos com entregáveis que deixaram de ser cumpridos.

O que reunir agora, na prática

  • Prints de todos os avisos recebidos, com data e hora.
  • @ do perfil e número aproximado de seguidores.
  • Relatórios de alcance e impressões antes e depois da restrição.
  • Comprovantes de investimento em anúncios no período.
  • Contratos de publicidade com entregáveis afetados.
  • Números de recurso ou protocolo já abertos.
  • Faturamento comparado mês a mês, se o perfil vende.

Não tem tudo isso em mãos? Traga o que existir. Muita coisa é recuperável depois, e o mais importante é registrar as datas e os números de protocolo enquanto a memória do atendimento está fresca.

Como medir o prejuízo de forma convincente

Compare períodos equivalentes: alcance médio, impressões, visitas ao perfil, cliques no link e faturamento nos 90 dias anteriores e nos dias seguintes à restrição. Números organizados dizem mais do que qualquer descrição, e é isso que a ferramenta acima ajuda a estruturar antes da conversa.

O que costuma acelerar a análise do seu caso

Três coisas fazem diferença logo no começo. A primeira é a linha do tempo: a data em que tudo começou, a data de cada aviso recebido e a data de cada tentativa de solução. A segunda são os números de protocolo, de recurso ou de chamado — eles provam que o caminho interno foi percorrido e que a resposta não veio, ou veio genérica.

A terceira é a dimensão do impacto, medida em dados e não em impressões: quanto a conta faturava por mês, qual era o alcance médio, quais contratos estavam em andamento e o que deixou de acontecer depois do problema. Com esse quadro em mãos, a conversa deixa de ser sobre o que aconteceu e passa a ser sobre o que pode ser feito.

Se algum desses itens estiver faltando, não espere. É melhor conversar cedo, com informação parcial, do que tarde, com a documentação completa e prazos já consumidos.

Conte-nos o que aconteceu

Cada conta tem um histórico, cada notificação tem uma redação e cada prejuízo se prova de um jeito. Não prometemos resultado — o que fazemos é ouvir o seu caso, ler o que a plataforma respondeu e explicar, com honestidade, o que se aplica à sua situação.

Se você ainda não reuniu prints, protocolos ou contratos, fale com a gente do mesmo jeito. A conversa inicial serve justamente para organizar o que falta.